Entender a complexidade dos problemas de saúde pública e como isso afeta o cotidiano da sociedade é uma reflexão importante para traçar novas medidas corretivas e preventivas ao longo do tempo.

Você provavelmente já deve ter ouvido sobre o caos que define como está a saúde pública no Brasil. São exames que demoram, filas de espera gigantescas, médicos que estão na escala, mas que não aparecem no dia do plantão marcado. Basta pegar um jornal ou uma revista que esses e outros problemas estarão lá, o que indica que os problemas de saúde pública estão presentes diariamente.

Soma-se a isso outras condições que abalam consideravelmente o sistema de saúde de um país, como a pandemia causada pelo novo coronavírus que trouxe desafios inimagináveis para os gestores.

Por conta das questões antigas e dos novos desafios, muitas pessoas acabam optando por pagar um plano de saúde ou tirar do próprio bolso o dinheiro para uma consulta particular. O objetivo é ter um atendimento mais digno e humanizado, sem esperas infinitas e, acima de tudo, ser respeitado não só como paciente, mas também como indivíduo.

Portanto, se você tem uma clínica, um consultório médico ou um hospital, preste atenção nos 10 problemas de saúde pública que listaremos abaixo e que nunca — em nenhuma hipótese — podem estar presentes em estabelecimentos particulares.

1. Quadro de profissionais desqualificados

Apesar de hoje termos mais acesso à educação, principalmente devido aos recursos de ensino a distância (EAD), ainda existem muitos profissionais desqualificados — com destaque para aqueles que se preparam em faculdades que não oferecem o suporte educacional e equipamentos necessários.

Por isso, em sua clínica ou seu hospital, certifique-se muito bem antes de contratar um profissional. Verifique o seu currículo, pesquise o nível de qualidade das instituições de formação e se elas são reconhecidas pelo Ministério da Educação (MEC). Assim, você garantirá um atendimento de qualidade para os seus clientes.

Avalie a experiência do profissional adquirida em outros serviços privados e públicos e como isso agregará nas funções que serão executadas no seu estabelecimento, a fim de garantir satisfação para ambos os envolvidos.

2. Falta de médicos

O problema não está só no fato de os profissionais não terem uma boa formação. Para complicar ainda mais a situação, eles estão mal distribuídos pelo Brasil e, em muitas cidades — especialmente do interior — faltam médicos de várias especialidades.

Conforme os dados do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) existe 1 médico para cada 470 habitantes. Porém, nas regiões Norte e Nordeste, a quantidade é muito menor e chega a 1 médico para cada 953,3 e 749,6 brasileiros, respectivamente.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), há aproximadamente 17 médicos para cada 10 mil habitantes no Brasil, enquanto na Europa esse número chega a 33. Isso mostra o quanto o nosso país está despreparado frente às nações desenvolvidas para prestar um atendimento de saúde para a sua população.

3. Longo tempo de espera

Uma pesquisa realizada pelo Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS) mostrou que 39,8% dos entrevistados resolveram contratar um plano de saúde para se livrar do longo período de espera do Sistema Único de Saúde (SUS).

Dependendo da complexidade do serviço público que se almeja, da localidade onde o paciente reside, o tempo de espera por ser muito grande, desestimulando a população a usufruir desse atendimento.

Esse cenário é reflexo também dos problemas citados anteriormente, como a falta de médicos e de profissionais qualificados, diminuindo a oferta de serviços ou direcionando-os para outras localidades que vivenciam o mesmo drama.

4. Desperdício de tempo

Os hospitais acabam gastando muito tempo sem necessidade. Há, também, uma grande falta de controle na distribuição de profissionais por paciente. Assim, é preciso determinar muito bem o horário de serviço a ser aplicado por cada profissional para prestar atendimentos. Isso otimiza todo o processo e ajuda a reduzir filas.

Nesse sentido, o desperdício de tempo afeta a produtividade do serviço e, consequentemente, a satisfação do usuário, gerando transtornos clínicos, psicológicos e econômicos aos gestores. Uma das resoluções adequadas seria a implantação e integração das diversas atividades clínicas e gerenciais por meio de softwares eficientes.

5. Falta de leitos

Ao chegar em um hospital público, muitos indivíduos se deparam com todos os leitos ocupados. Como última opção, resta apenas a possibilidade de receber alguma forma de atendimento em uma maca pelos corredores. Essa condição é desumana e eleva os riscos de complicação e até óbito dos pacientes.

Em 2017, o CFM, em pesquisa pelo Datafolha, declarou que o aumento do número de leitos é a terceira necessidade mais citada pelos entrevistados entre os problemas de saúde pública que precisam ser resolvidos pelo governo.

Um exemplo muito claro dessa condição é a quantidade de leitos para recém-nascidos no SUS. O recomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) é de 4 leitos para cada mil nascidos vivos. No nosso sistema público, esse número é de 1,5.

6. Má administração financeira

De acordo com o economista Paulo Feldmann, a administração do sistema público é uma tragédia. Já não há muitos recursos financeiros para prover tudo o que uma saúde de qualidade precisa e a má gestão ainda desperdiça o pouco que tem.

Segundo Oswaldo Yoshimi Tanaka, diretor da Faculdade de Saúde Pública da USP, o SUS está subfinanciado e não recebe dinheiro suficiente para atender a sua demanda, situação que é agravada pela crise política e econômica no país.

Outro fato preocupante é a falta de preparo e experiência dos gestores públicos, que mesmo diante da escassez de recursos financeiros não conseguem otimizar as atividades e oferecer um serviço minimamente adequado.

7. Atendimento pouco humanizado

O indivíduo chega ao hospital porque está com dor ou alguma doença — o que já o deixa fragilizado, não apenas fisicamente, mas também no nível emocional. É nesse ponto que entra a humanização e capacitação dos profissionais durante o atendimento, desde a recepção até a alta do paciente.

O problema é a presença de pessoas despreparadas e incapacitadas para prestar esse atendimento ao público de forma adequada. Muitos deles se acomodam e passam anos sem fazer cursos de atualização ou uma especialização em suas áreas para elevar a qualidade dos atendimentos.

8. Escasso atendimento na emergência

As emergências costumam ser os postos mais procurados pela população e exigem um atendimento rápido e de qualidade. Isso possibilita que a vida de uma pessoa seja salva, no entanto, não é isso o que acontece no SUS, o que praticamente declara de forma muito negativa como está a saúde pública no Brasil.

Não é raro ler notícias sobre pacientes que precisam esperar diversas horas para receber um primeiro atendimento emergencial ou ser encaminhado para unidades especializadas, padecendo entre os estabelecimentos e aumentando significativamente as chances de complicações e óbitos.

Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a avaliação dos serviços de urgência e emergência recebeu mais de 31% de avaliações negativas, principalmente devido à condução dos processos nesses estabelecimentos.

9. Alto número de mortes

Quando a má administração da saúde pública no Brasil é somada com o quadro de profissionais desqualificados, falta de leitos e problemas no atendimento emergencial, o resultado é um crescimento do número de mortes — sobretudo por infarto.

A falta de agilidade e o despreparo para um atendimento que deve ser feito em até duas horas (período de maior possibilidade de sobrevivência após o evento cardíaco) são os grandes problemas no momento de atender aos pacientes com problema no coração.

Além disso, a falta de monitoramento dos pacientes nos níveis de atenção primária e secundária constitui um problema de saúde pública que se contornado eficientemente, reduziria muito as mortes por causas evitáveis.

10. Pandemia como fator acelerador dos problemas de saúde pública

A pandemia que assola o mundo atualmente expôs ainda mais os problemas de saúde pública evidenciados no Brasil. Isso porque, nunca se trabalhou com tantos indivíduos internados e graves em tão pouco tempo.

Mesmo diante do suporte financeiro governamental, ainda perduram diversas questões de saúde pública que se intensificaram. Veja abaixo.

Superlotação de hospitais

Com a pandemia do novo coronavírus, observou-se que os leitos destinados à terapia intensiva, que abrigam pacientes com necessidade de suporte ventilatório devido a infecção pelo novo coronavírus, foi insuficiente.

Soma-se a isso a falta mundial de insumos hospitalares que vai desde a dificuldade para aquisição de luvas de procedimentos até anestésicos e outros medicamentos utilizados na sedação de pacientes.

Infraestrutura defasada

A infraestrutura de um hospital deve contar com equipamentos mais custo-efetivos, que trazem segurança para o operador e paciente. No entanto, muitos estabelecimentos públicos carecem de tecnologias em número e qualidade suficientes.

A consequência disso são os diagnósticos imprecisos, causando grande preocupação da equipe multidisciplinar devido à baixa confiabilidade nos laudos emitidos. Outro fato de grande preocupação é o acesso a essas tecnologias, gerando grande inquietação e relação dos pacientes.

Sabemos que o Brasil, devido às suas dimensões continentais, ainda perece com grandes problemas de saúde pública, fruto do pouco investimento financeiro, baixa ingerência nas atividades, limitações importantes sobre serviços e infraestruturas.

Com isso, muitos indivíduos recorrem aos planos privados da saúde na esperança de que seus problemas clínicos sejam solucionados com mais eficiência e rapidez. Nesse sentido, as operadoras de planos devem se preparar para abarcar esse nicho crescente da sociedade.

Dessa forma, com pequenas mudanças e melhorias na estrutura, é possível reduzir o número de óbitos de forma definitiva nesses casos e aumentar a qualidade de vida daqueles que almejam viver com segurança.

Gostou de descobrir mais sobre como está a saúde pública no Brasil? Como visto, são diversos os problemas de saúde pública que assombram esse sistema ainda muito falho. Por isso, não deixe de investir em sua clínica ou no seu hospital para que isso não se repita na rede particular. E compartilhe essas informações nas suas redes sociais, para disseminar informações de qualidade!

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