Entenda o planejamento estratégico situacional na saúde

No dia a dia de qualquer pessoa, é comum planejar as mais diferentes situações: as férias, os estudos, o trabalho e a conciliação de todas essas tarefas. Ou seja, é de se imaginar que o planejamento na área da saúde, que apresenta uma operação complexa e com um grande número de pessoas, exija um planejamento mais elaborado. Daí a importância de se entender e aplicar o planejamento estratégico situacional.

O método tem ganhado cada vez mais empresas e instituições no mundo moderno. É uma ferramenta gerencial muito utilizada nas grandes corporações, com o objetivo de melhorar as atividades existentes e almejar novos horizontes empresariais.

Sua aplicação na área de saúde é bastante interessante, pois concilia as etapas administrativas com a importância de garantir uma assistência adequada e humanizada ao paciente atendido.

Quer entender como elaborar um planejamento estratégico situacional? Continue a leitura do post e entenda o que é e como implementá-lo no dia a dia das instituições de saúde.

O que é o planejamento estratégico situacional?

Trata-se da organização de atividades gerenciais com base no diagnóstico daquele momento. Para tanto, os gestores devem nortear suas atividades analisando os pontos fortes e fracos da instituição de saúde.

Os pontos fortes representam os serviços de referência em saúde, alta demanda e produtividade, geralmente com os melhores resultados clínicos, humanísticos e econômicos. Já os pontos fracos são aqueles que necessitam de mudanças ou readequação dos serviços.

Pensando nisso, é possível identificar as oportunidades de crescimento conforme o cenário externo e as fraquezas que foram levantadas segundo um comparativo com os serviços ofertados pelas empresas concorrentes. Diferentemente do modelo tradicional, esse planejamento só termina quando uma ação acontece ou um problema é resolvido.

O método foi criado na década de 1970 pelo economista chileno Carlos Matus. O pesquisador não considera o futuro ou os resultados como certos. Pelo contrário, a realidade precisa ser constantemente acompanhada e reorientada. Ou seja, quando ocorre uma mudança, o plano precisa ser ajustado.

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Quais são as vantagens desse planejamento?

O principal benefício para as empresas que implantam essa ferramenta é a organização das atividades e as mudanças de acordo com a urgência em implantá-las. Após a identificação dos pontos mencionados, os gestores devem definir um cronograma de mudanças.

Para tanto, devem ser considerados também: o tempo para executá-las, os recursos financeiros despendidos e a adequação às exigências sanitárias. Essa programação permite a distribuição dos recursos, a análise das mudanças já implantadas e a reorientação de novas atividades.

Além disso, possibilita uma visão das ações em andamento para alçar novos rumos a partir dos indicadores mensurados. Com a avaliação das tarefas em processo, é possível direcioná-las às propostas efetivas e melhorar o desempenho dos indicadores numa área em constante transformação, como a saúde.

Como ele pode ser aplicado?

O planejamento estratégico deve ser idealizado com base em quatro etapas: programação, desenvolvimento, controle e avaliação.

O primeiro já foi definido nos tópicos anteriores e serve como um norteador das próximas etapas. O segundo é a implantação, propriamente dita, e o controle é a quantificação da efetividade por meio de indicadores predefinidos.

Assim, se a tarefa inicial foi a inserção de alguns softwares para instituições de saúde, os indicadores estarão relacionados ao tempo para a realização de um atendimento informatizado, a quantificação de consultas realizadas etc.

Também devem ser avaliados alguns fatores, tais como o número insuficiente de colaboradores para realizar o serviço, assim como outros que precisem ser alterados após o andamento das tarefas.

A etapa de avaliação consiste na obtenção do parecer final sobre a efetividade da rotina implantada. Se a análise for positiva, a rotina será estabelecida e, se for negativa, sua proposta de implantação precisará ser refeita.

No que ele difere do planejamento tradicional?

Um plano tradicional costuma ser bem mais genérico, com aplicação limitada a normas e recomendações. Assim, as novas situações apenas se adequam ao plano, não o alterando em sua essência.

Já o planejamento estratégico situacional é elaborado de maneira aberta, sendo concluído apenas quando as situações ocorrem. As decisões são tomadas no momento em que elas são necessárias. O diagnóstico, geralmente realizado no método tradicional, é substituído pela apreciação, realizada de modo contínuo ao longo das ações.

Para a saúde, essa flexibilidade na resolução de problemas pode ser decisiva, tendo em vista a urgência de diversas situações. Vale lembrar o quanto novos problemas surgem a cada dia nos hospitais e clínicas e como um planejamento muito fechado poderia comprometer bons resultados.

Quais são os momentos do planejamento situacional?

Matus propôs quatro momentos distintos para o planejamento estratégico situacional. São eles:

Momento explicativo

Corresponde à etapa de diagnóstico no modelo tradicional. Nele, se identifica, escolhe e prioriza os problemas, selecionado-se suas causas prováveis. A principal diferença é que ele considera não apenas as avaliações do próprio planejador, mas também os indicadores, os levantamentos, as estimativas, as pesquisas e a opinião de uma equipe técnica.

Isso é fundamental para a área da saúde, em que os resultados dependem da avaliação de dados confiáveis.

Momento normativo

Depois de entender a situação, nesse momento deve-se considerar como será a nova realidade e como alterá-la. É quando se traçam objetivos e metas, que não devem restringir a ação na resolução dos problemas, ou seja, é momento em que são quantificados todos os recursos necessários para a implantação do plano.

Momento estratégico

É nesse momento que se pesam os prós e contras da implantação do plano. Devem ser analisados todos os dados referentes à tecnologia necessária, os fatores políticos e econômicos e os possíveis desdobramentos. Avalia-se, aqui, a disponibilidade de todos os recursos, bem como as implicações políticas e outras contrariedades que podem comprometer o sucesso da operação.

Momento tático operacional

Nesse momento, acontece a implantação do plano em si, no qual as ações são monitoradas e avaliadas continuamente, desde a execução dos trabalhos até a supervisão e o acompanhamento dos resultados. Para Matus, o plano só é finalizado no momento da ação, pois, assim, é possível comprovar os resultados esperados ou realizar mudanças, caso necessário.

O planejamento estratégico situacional na saúde é uma ferramenta importante para garantir a sustentabilidade das empresas. Inicialmente, é feito um levantamento dos pontos fortes e fracos da empresa e depois são elaboradas as atividades, conforme a necessidade e a urgência. Após o andamento das tarefas, são mensurados indicadores que tornarão possíveis as avaliações positivas ou negativas dessa empreitada.

E você, já implantou o planejamento estratégico situacional na sua empresa de saúde? Já obteve resultados animadores? Precisa de mais informações? Assine nossa newsletter e receba mais conteúdos sobre gestão em saúde.